Últimas Palavras
Meus amados nove leitores... Nem só de pão vive o homem, e até Jesus era chegado num vinho (pra ele era bem mais fácil, convenhamos...). Vim aqui hoje pra caminhar além das óbvias conclusões tradicionais de que pra morrer basta nascer. O Na Prateleira nem sempre foi salmão assim (acreditem, dá pra ser pior). Mas ele nasceu. Nos idos tempos de 2007, salvo falha de memória. Temos aí 4 anos, mais de 6000 visitas (agradeço novamente às constantes atualizações, vocês sempre foram lindos), um apanhado de textos: alguns bons, outros médios, e alguns bem ruins e imaturos, sobretudo os do início, que só existiam pra crescer e ser de verdade - vejo hoje - e pra me acreditar que além de saber as palavras certas pra serem juntadas nas devidas linhas, um dia tinha que começar. Nostalgias paralelas, o Orkut ainda era legal, o Osama vivo e o Zeca nem sabia quem era eu (hoje ele sabe e foge). E parece-me que a Eva ‘inda esperava Caim. O tempo trouxe-me mais acidez verbal e segurança pra falar bobagem. Nesse último, o tuíter tem alguma responsabilidade, admito. O tempo também me deixa mais próxima dos 30 do que dos 20, e a certeza da minha necessidade de deixar algo pra posteridade que possa me orgulhar. Coisa que o Direito não trouxe, ou eu não fui buscar. Independentemente, vocês passaram algum tempo da vida lendo a minha: bobagens, dramas de mulherzinha, de filha e auto piadas. Sempre que não me sinto amada venho ler os comentários. E percebo que sou uma boba carente. Por isso mesmo preciso que vocês continuem comentando (não aqui, calma), senão serei uma deprimida, e estou certa de que vocês não querem ser responsabilizados por isso – que além de boba carente, também sou persuasiva e jogo sujo. Pois... como aprendemos com os Teletãbis “é hora de dar tchau”. Essa casa está velha, feia, e interditada. Mas como tudo que foi, tem seu valor histórico e sentimental. Vamos nos mudar – eu e vocês 9 – pra uma casa mais bonita, moderna, menos amadora e com ambições assumidas. Peço a ajuda de vocês pra que ela seja um sucesso de verdade, que é minha única carta na manga pra ser alguém de quem possa me olhar no espelho e me orgulhar (larguei mão de dieta). Lá estarão alguns dos bons textos daqui – devidamente datados. E outros mais, meus, e de terceiros, que ninguém pode ser sucesso sozinho. E se quiser me ajudar a não morrer de fome, terá uma aba especial implorando por seu dinheiro em troca de arte pretensiosa. Pensando bem... vim aqui concluir obviamente que pra morrer basta nascer. - Nos vemos no Jô, bebês. E aqui também: http://asminhocas.wordpress.com Manu.
Escrito por Emmanuella Denora às 14h22
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Nota
Vim aqui só pra segredar o link acima pra vocês. Perfil que fiz para o portal mais promissor da internet, o NegoDito.com, com os Contadores de Histórias - Fábio Moon e Gabriel Bá. Aguardem surpresas para este blog aqui. Que deixará de ser aqui. Manu.
Escrito por Emmanuella Denora às 15h36
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39 Dicas adaptadas da Country Life
A Country Life, como todos vocês 9 sabem, é uma revista britânica cujo público alvo são os ricos ruralistas elitistas contemporâneos e jovens. Apenas à guisa de esclarecimento, se fosse no Brasil, a qualificaríamos como revista pra reaça da UDR. Ou Veja. Importa pra nós que ela publicou uma lista com 39 itens que você TEM que saber pra uma melhor aceitação social e levar uma vida plena. (Ainda não me desceu o fato da ausência da 40ª dica, referindo-se a manter um perfil atualizado no FaceBook, mas eles devem ter esquecido.) Segue a lista, com a dica oficial em negrito, e minha sugestão de adaptação condizente à realidade tropical tupiniquim, haja vista a retangularização da pirâmide social, blábláblá. 1. Poder cozinhar um jantar com três itens - Arroz, feijão e ovo. Frito ou cozido. Gratinado é excesso de zelo. Ou o telefone da pizzaria. 2. Saber dizer "você pode me ajudar, por favor" em outros idiomas além do inglês, como árabe, cantonês, urdu, espanhol e russo - As chances de você encontrar um árabe no Brasil são bastante grandes, principalmente porque aqui é um antro capitalista com centros financeiros em prédios gêmeos, sempre alvo de atentados. Por isso, quando vir alguém com um turbante, grite “Alá”. Se não funcionar, tente três pedidos. E saiba escrever S.O.S. Não é difícil: cobrinha, bolinha, cobrinha. 3. Tocar um instrumento musical, mesmo que seja apenas tambor ou gaita
- Sugiro a gaita de foles. Um sucesso em qualquer festa. 4. Montar a cavalo de forma adequada - Pergunto: o que seria “forma adequada”. (Favor, atenção ao “a”. Não leia “montar cavalo de forma adequada”. Se o animal não for compreensível, no dia seguinte ao invés de ligação, você poderá receber um coice.) 5. Ser capaz de dominar os mais recentes artefatos tecnológicos
- O iPad vai ser fabricado aqui, gente. Você já pode abandonar o minigueime. 6. Conversar sobre cinco obras clássicas da literatura inglesa com autoridade e paixão
- Você pode, inclusive, inventá-las na hora. Porque todo mundo já ouviu falar em Shakespeare, mas o mais próximo que chegaram de uma obra dele foi no “10 coisas que odeio em você”. 7. Realizar ressuscitação de alguém que parou de respirar - Depende muito da pessoa, néam. Melhor não aprender, pra não se sentir na obrigação de salvar gente desnecessária. 8. Aprender a cultivar cenouras, identificar cinco árvores nativas e 20 flores e saber fazer um buquê
- Obviamente, trata-se de uma lista britânica, por isso o assunto de jardinagem tão em oitavo lugar. Em todo caso, ande sempre acompanhado de um biólogo e um gay. 9. Manejar uma espingarda, tirar a pele de um coelho, limpar um peixe e depenar um pombo
- O item da espingarda é imprescindível, com a violência generalizada em todos os centros urbanos a níveis cariocas. Sobre a pele de coelho, pergunte à Arezzo se convém. Quanto ao peixe, ande sempre munido de sardinha e abridor de latas na bolsa, e do pombo... bem... se você tiver coragem de comer um pombo a esmo, favor, me deletar no MSN. 10. Consertar um pneu furado de bicicleta e a corrente
- Realmente, é algo essencial em sua vida. 11. Poder dançar uma dança folclórica, uma valsa de Strauss e uma música de Lady Gaga - Dança folclórica no Brasil é dança da chuva, que consiste em sair pulando e resmungando, fazendo cara de índio, cantando com a Xuxa. Dançar uma valsa de Strauss é igual a dançar qualquer valsa. Se você já esteve numa formatura, sabe como não é, portanto faça diferente. Quanto à Lady Gaga, eu já indiquei a ter sempre um amigo gay por perto, e essa é mais uma de suas utilidades.
Escrito por Emmanuella Denora às 13h29
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12. Saber discernir entre um Sauvignon Blanc e um Chardonnay e saber preparar um mojito ou uma margarita - Vinho é literatura. Crie frases profundas utilizando adequadamente as palavras “amadeirado” “fresco” “damascos siberianos” e “reticente”. 13. Escrever um carta de agradecimentos memorável
- Substituível pelo SMS: “valew ;*” 14. Reconhecer músicas de Mozart, Elgar e Handel - Pra discutir na mesa de bar com fãs de Restart bebendo Nova Schin. 15. Montar uma estante e consertar uma tomada
- Arranje um marido. 16. Fazer o nó de uma gravata borboleta e dois diferentes laços de gravata
- Isso é útil. 17. Conduzir um barco através do Solent (o estreito que separa a Inglaterra da Ilha de Wight) - Ou saber usar o GPS se quiser voar com bexigas.
18. Saber cortar um pedaço de carne
- Saia da caverna. 19. Saber diferenciar as arquiteturas gótica, barroca e paladiana
- Tudo isso você aprende assistindo à Bela Adormecida e A Bela e a Fera. É sério. 20. Fazer um discurso, entreter uma palestra com uma piada ou história e saber cantar pelo menos duas canções de memória
- Eu sei fazer tudo isso e se vocês não sabem, são burros. Desculpe. 21. Dirigir um trator, dar marcha-ré em um trailer, trocar o óleo e trocar um pneu - Em casos de acidente, no escritório tratamos de DPVAT.
22. Saber se orientar em pelo menos cinco grandes cidades
- Agora você sabe porque aprendeu a utilizar o Google maps ou aquele GPS pras viagens de bexiga. 23. Ser anfitrião de uma festa e fazer com que todos os convidados se sintam à vontade - Sirva Tequila.
24. Ser capaz de devolver dez bolas seguidas jogando tênis
- Pode ser no Wii. 25. Saber fazer fogo e montar uma fogueira
- Tenha sempre um bom isqueiro Bic. 26. Conhecer três bons truques com cartas
- Tarot é o suficiente. Você inclusive pode incrementar a renda doméstica trabalhando no horário de almoço falando pra secretária gorda que ela terá sim um caso com o sub-gerente do almoxarifado. 27. Identificar cinco constelações e saber distinguir a Estrela Polar
- No nosso caso, obviamente, trata-se do Cruzeiro do Sul. E é um ótimo método de sobrevivência para nós, brasileiros, haja vista que vivemos na selva. 28. Manter a pontuação em uma partida de críquete
- Críquete pra mim ou é marca de isqueiro que compro quando não tem Bic ou é barulho de grilo. 29. Falar com conhecimento de cinco marcos da Grã-Bretanha
- Hogwarts, Terra Média, Kate Moss, Pippa Middleton, e a bunda da Pippa Middleton. 30. Saber abrir e servir uma garrafa de champanha - Óbvio. 31. Passar uma camisa, coser um botão e costurar uma bainha
- Dona Maria, fone: 3325 6754. 32. Entreter crianças pequenas por pelo menos uma hora com truques de mágica e histórias - Playstation.
33. Saber ler um mapa, montar uma barraca e empacotar uma mochila
- Primeiro de tudo, aprenda a ler e a escrever sem a ajuda do MEC. 34. Demonstrar familiaridade com ao menos uma obra de da Vinci, Constable, Degas, Turner e Canaletto
- Diga que já bebeu com todos eles. E que são todos umas bichas fracas. 35. Controlar uma conta bancária
- Pressupõe-se que você tenha dinheiro. 36. Escapar de uma briga em um estádio de futebol
- No Brasil, isso implica em não ir ao estádio. 37. Como se dirigir a um membro da família real
- Leve cartazes em cartolina verde, escrito “Harry: marry with Manu” “Charles, your asshole” ou “Camila is a whore”. 38. Reclamar de forma eficaz, mas educadamente em um restaurante
- Neste caso, não esteja com seu amigo gay. 39. Realizar o parto de um cordeiro
- Espero sinceramente que o cordeiro esteja nascendo, mas se ele por um acaso estiver tendo o bebê, chame o Gugu. http://estilo.uol.com.br/ultimas-noticias/bbc/2011/05/17/biblia-de-gra-finos-da-39-dicas-para-jovem-ter-exito-na-vida.htm
Escrito por Emmanuella Denora às 13h29
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Morte do Osama
O bom de se ter um blog é poder dar uma de Caetano Veloso virtual: opinar sem ninguém ter perguntado. É o que faço nas linhas que seguem. Parece que hoje é uma data histórica ao ocidente, que enfim conseguiu “matar” uma das figuras que mais causaram frio na espinha – depois do Godzilla e do Bicho Papão – de uma cultura e way of life estabelecida: o Osama Bin Laden finalmente encontrou-se com Alá. O assunto dá muita pauta, mas como canta Zeca Pagodinho, numa paráfrase livre “Você sabe o que é Osama? Nunca vi nem comi eu só ouço falar”. O que quero dizer é que a criação de um vilão fundamentalista muçulmano quando o dono do mundo era o George W. Bush, prestes a perder a posse, e no que, resultou uma reeleição tão capiciosa quanto a primeira, a mim me pareceu sempre bastante conveniente. A conveniência é política e mexe com aquilo de mais paranóico que há no ser humano: a paranóia. Por alguma razão, um milionário barbudo, em nome de Alá, destrói as torres gêmeas e uma ponta do Pentágono, seqüestrando aviões. Da transformação do Pentágono em quadrado ninguém fala muito e parece que não causou grandes danos. Já as torres gêmeas, milhões de inocentes morreram de modo trágico. Não mais – creio eu – do que Hiroshima e Nagasaki, evidentemente somados com os cubanos que sofrem com as retaliações comerciais impostas desde que o Fidel é o Fidel Castro, e infindáveis máculas no currículo de uma nação que pode até ter um povo inocente diretamente. Mas indiretamente são todos cúmplices. Importa saber quem nos convenceram ser o mocinho e quem é o bandido. Mas não discutirei o mérito neste ponto. Não agora. Talvez nunca por aqui. Enfim... Espanta-me deveras quando observo todos aqueles estadunidenses - e o mundo! – festejando a morte de uma criatura tão poderosa. Osama era tão malvadão que era a própria figura encarnada na Terra de Lúcifer. Pros cristãos, claro. E pros que não perguntam muito. Matar Osama também me parece uma conveniência política. Tanto quanto sua criação e o medo incutido nas pessoas. Osama foi uma espécie de coringa. Ou Bicho Papão, mesmo: o pânico que ele provocava justificava toda e qualquer atitude, sendo ele de verdade ou não – tanto o pânico quanto o Osama. Só espero sinceramente que depois dessa fuzarca toda, facilitem meu visto.
Escrito por Emmanuella Denora às 11h01
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"Hoje é Sexta-Feira"
Situação: [Sacada. Reunião da produtora. Pedro Miranda ausente (ufa!). Maluko, euzinha e Martha brincando com um gravador antigo de fitinha] [Martha grava:] "Hoje é sexta feira, 18 de fevereiro blá blá blá blá" [Martha fica enchendo o saco indo e voltando a fita] [Manu pega o gravador e canta "Hojeeee é sexxxta feiiiiraaaa"] [Rebobinam a fita e vêem como fica a intervenção sertaneja] Martha: "Hoje é sexta feira ..." Manu: "Hoje é seeeexxxtaaaa feiiiraaaaaaâaaaaãaa" (--> voz demoníaca satânica gravada saída do Exorcista. Hora exata da gravação: meia-noite.) [Resto da gravação normal] . [Pânico geral] . . E eu aqui. Possuída.
Escrito por Emmanuella Denora às 01h14
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Parabéns a você
"Faz um bom tempo que a vontade de escrever e de poetizar se resume a você." Caio Fernando Abreu Resolvi tirar o Na Prateleira da prateleira pra constranger pessoas e minha dignidade. Quê isso... vocês sabem que sempre podem contar comigo pra esse tipo de coisa! Esse é um desses textos suspensos que faço, sem qualidade literária (sim, porque os demais tem qualidade literária) e com um único porquê. Te dar parabéns. Sofro do mal dos artistas, ao invés de amor tenho essa coisa dentro de mim que dói e nunca acalma. Salvo sob teu toque. Prefiro crer que te criei. Te vi através de minha retina e projetei meus sonhos românticos em teu mistério. Tento te decifrar, mas tal qual esfinge, termino sempre devorada (achei que “comida” seria um termo muito chulo). E então você vai embora e leva meu melhor: você inteiro. Deve ser ótimo saber que alguém tão fantástica como eu te chama de melhor. Deve ser incômodo também pensar que alguém tão fantástica e perturbada como eu fica tão fraca ao perceber tua presença. Mas você é meu fazedor de sorrisos. Como canta Paulinho Moska “Calma Tudo está em calma Deixa que o beijo dure Deixa que o tempo cure Deixe que a alma Tenha a mesma idade Que a idade do céu” Feliz aniversário.
Escrito por Emmanuella Denora às 17h02
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A eterna busca insatisfeita por identidade
Buscar a identidade intrínseca em nós mesmos – o que somos de fato, porque somos e assim por diante – deveria estar em primeiro lugar na ordem do dia. Conhecer a si mesmo é uma aventura que todo ser humano deveria se arriscar. Ao longo da vida vamos tendo pistas através de nossas atitudes e da postura como lidamos desde a compra do pão francês na padaria da esquina à nossas companhias mais freqüentes. Chamo isso de identificação tribal. Na adolescência essa necessidade de afirmação fica mais forte, e é nessa fase que colecionamos as maiores lembranças de quando passamos a agir conforme nossos passos orientam. Tenho uma irmã adentrando nessa fase e leio as revistas que ela consome. Impossível não comparar a Capricho de hoje com a Capricho de meu tempo. E pra ser sincera... não houve mudança copernicana. Mudaram os ídolos e os cortes de cabelo. E só. Ali continuam dando dicas sobre o que os garotos gostam numa menina, sobre como devemos nos comportar no primeiro encontro, sobre como agradar, como prender os cabelos, como ter a barriga da Miley Cyrus (no meu tempo era como ter a barriga da Britney. Modestamente, hoje eu consegui)... Essas revistas – bem como as femininas pra adultas – continuam nos vendendo que uma mulher independente sabe como agradar um homem. Além de nos convencer sobre o que é atual. Não condeno essa molecada fã de Restart. Minha adolescência foi cunhada por muito Hanson, Backstreet Boys, Spice Girls... e gostar disso que é fácil me abriu as portas pra conhecer verdadeiras lendas musicais, o que demanda ouvido mais maduro, aquilo que chamam de música de verdade. Sem Hanson, possivelmente eu não teria sabido ainda aos 15 quem era James Brown. É hipócrita rechaçarmos essa geração colorida com letras fracas e poucos acordes. Ramones não passa muito daqueles três e grita que quer ficar sedado 24 horas a fio. E é ótimo. Cada geração vai ter sua marca, e por mais que uma meia dúzia enfurecida alegue por aqui que ouvia Legião, eu pergunto: e o que você fez efetivamente, apesar de ouvir Legião, pela democracia? Possivelmente o mesmo que quem ouve Restart ou Cine faz: nada. No máximo um tuíte #ditadurafail. Emplacar isso nos Trending Topics não vai devolver a vida desse pessoal realmente mais velho, que embalados por Geraldo Vandré (que hoje é insano e perambula pelas ruas de São Paulo) fazia a hora. Ter ideais e andar com pessoas com quem você se identifica já é alguma coisa pra se conhecer. O que vai trazer à tona sua unicidade é a diferença naquele contexto, o modo como se opina e a capacidade de concordar, discordar e inclusive mudar de opinião diante de argumentos que te pareceram mais sensatos sopesando os fatores que te pareceram razoáveis. Mudar também é uma postura inteligente, e o mais fascinante é que sempre que se muda, na realidade se transforma. Sempre sobra um pouco de você pelas pegadas que foram ficando na estrada. Assumo que não sei ainda quem sou. Consigo dizer alguns pratos favoritos, que gosto de vestidos meio infantis, e que homens muito bonitos me assustam. Mas não sei afirmar sem sombra de dúvidas minhas reações em determinadas situações. Inclusive creio de uma insegurança enorme aqueles que sustentam ser assim ou assado, gostar daquilo ou disso, de modo intransigente. Precisar se dizer é contar que não se sabe. (Bonito néam? Podem me citar.) Acho também que o que falta pro pessoal da minha idade – gente dos 20 pra cima – é se olhar pra trás e notar que eventualmente estamos sendo como aquele pessoal careta que não nos levava a sério. Mas falta principalmente saber que os adolescentes crescem, e rápido. Logo essa onda de fãs histéricas por Fiuk vai passar e se esses coloridos não mostrarem algum talento, vão ter sido mais um que daqui 20 ou 30 anos vai ser encarado como retrô. E brega. Apostar na não efemeridade dos adolescentes é um risco muito burro. E disso tudo só sobra pra servir de identidade as fotos com calça saruel e crocks que definitivamente você vai querer muito deletar. E se vale um conselho da tia aqui: Restart e afins é um lixo. Mas o Fiuk é lindo.
Escrito por Emmanuella Denora às 19h41
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Texto Desabafo
Aviso: Este não é um texto feliz. É (mais) um desabafo completamente desinteressante. Mesmo. Tem uns tempos já que tenho observado como as coisas estão erradas na minha vida. A começar pelo meu signo. Nasci nove da noite do dia 20 de maio. De cesariana. Tecnicamente eu sou de Touro, mas me sinto completamente de Gêmeos, o que não muda teoricamente nada na minha vida, já que não creio que constelações de estrelas que talvez nem mais existam interfiram em meus atos. O que interfere em meus atos são os atos que tomo agora com reflexos daqui a pouco. Isso acontece com você também, fique tranqüilo. É a física de Newton te contando metaforicamente que toda ação gera uma reação. Ocorre comigo que outra das três leis dele tem se efetivado. A lei da inércia. Lembra? A de que todo corpo tende a permanecer imóvel se não for estimulado? Estou completamente sem vontade. De quase tudo. Deste blog, da minha profissão, dos meus processos que não me dão dinheiro, da minha cara, do meu corpo, das minhas músicas, dos meus livros, de não conseguir emprego decente, dos meus pais, dos meus sonhos... Tem uma hora que cansa fingir que se está feliz com o que tem. Como agora. Meus pais sempre me incentivaram a ter pensamento crítico. Hoje eles castram minhas contestações e não me permitem cortar o cordão umbilical. Sempre dão um jeito de entortar as pontas das minhas asas, que eles mesmos trataram com o melhor shampoo de penas. Como não sei reagir a gritos e xingamentos, não reajo. E pior: travo. Sei poucas coisas sobre mim. Mas sei bem meu medo de rejeição. Já averigüei se fui uma gravidez desejada, como exatamente aconteceu meu processo educacional, essas coisas. Descobri que sempre precisei provar porque eu merecia ser amada. E nunca adiantou. Li em algum lugar que quando se reclama amor, não adianta dizer “mas teus amigos te amam”. O que se reclama é ser único e insubstituível pra alguém. Isso eu não consigo ser. Nem pros meus pais.
Escrito por Emmanuella Denora às 17h21
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Mortadela Sociológica
Tive uma grande e decepcionante surpresa quando fui assaltar a geladeira de madrugada sonhando por mortadela e só encontrei presunto e queijo. Presunto e queijo! Isso fez-me indagar sobre em que espécie de sociedade nós vivemos. Que valores nós pregamos. Desde quando as famílias perderam o bom e tradicional hábito de se ter mortadela em casa? Se possível com aquela pimenta que você invariavelmente vai morder no começo do sanduíche pra estragar teu paladar por todo o resto dele. Foi com a redemocratização? Foi a constituição de 88? Foi a queda do muro de Berlim ou o monopólio chinês nos camelôs? Não sei, não sei... talvez Hiroshima e Nagasaki ou o Bolsa Família... Essa aburguesação dos paladares proletários é invasiva e ofensiva. Em algum momento na história dos brasileiros as famílias passaram a preferir presunto, pensando que mortadela é coisa de pobre. Falar mortandela que é o pecado, e nem é coisa de pobre, é coisa de burro. Apenas a mortadela dá aquele hálito pastoso e te faz arrotar numa reunião com seu chefe impregnando todo o ambiente. Apenas a mortadela caminha por todos os círculos sociais aclamada – mesmo que a reneguem! A mortadela é sociável, quando criança a realização é chamar os coleguinhas depois da partida de bafo e comer sanduba de mortadela com tubaína naquele bar que tem pimbolim. (Pensando bem... isso foi a minha infância. Ainda existem pimbolins?) Quando adulto é ir dar uma voltinha no Mercadão de São Paulo enfrentando sua fobia a aglomerações humanas única e exclusivamente pra deixar algumas notas por um sanduíche. E com todo o gosto. Numa sociedade em que não se pode assaltar a geladeira às três da manhã – poder pode, só não vai ter o efeito esperado – e encontrar mortadela, deve-se pensar se vale as penas colocar novas crianças nesse meio. Qual a educação que daremos aos pirralhos? Como explicar que a vida não é feita apenas de Playstation e que um dia todos assistimos ao programa da Xuxa? Mortadela é uma questão sociológica e literária. Esse texto, por exemplo, não teria surgido se eu não tivesse comido ela toda umas horas antes. Mas vale a preocupação sobre os rebentos nesse mundo caótico, sem indignações palpáveis e que ostentam presunto e queijo como se fossem... mortadela! Enfim, mas isso é pra quem vai ter filho. Eu menstruei.
Escrito por Emmanuella Denora às 19h25
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Impressões sobre o debate da CNBB
Os que me conhecem – talvez justamente meus nove leitores – sabem bem de minhas preferências políticas e partidárias, bem como das minhas opiniões sobre o tema e de minha opção por não fazer deste blog tão salmão um palanque. Confesso que esse ano senti falta das propagandas educativas sobre como votar com a urna eletrônica. Nunca Machado de Assis foi um candidato tão necessário. E admito minha culpa, minha tão grande culpa – deu surto de catolicidade nos candidatos, peguei um pouco – em não estar tão empenhada nessas eleições. Verificando meu histórico virtual, tenho passado muito mais tempo em sites de conhecimento inútil e de humor em geral. (Sim, preciso de emprego.) Mas estou me coçando pra falar... perdão... prometo evitar apologias, que meu partido anda me envergonhando. E... tem tão pouco pras eleições, que talvez o que eu diga não influencie ninguém. Pra ser sincera, nunca o que eu disse influenciou alguém mesmo. Suspeito inclusive que minha chapa do Centro Acadêmico só foi eleita por ser chapa única. Mas isso também tem tanto tempo, néam Gabi? (Isso é um teste pra ver se ela ainda freqüenta o Na Prateleira, mas não espalha.) Não tenho acompanhado os debates dos presidenciáveis (nem dos candidatos a outros cargos). Limitei-me ao horário político e ao Google. Sei que com internet, hoje em dia não é desculpa falar “em casa tal canal não pega”, mas a desculpa é essa. Ocorre que hoje consegui pegar os últimos momentos do debate na Rede Vida (casa de papai e mamãe = oferta de canais e de alimento = ausência de bebida = nem tudo é perfeito). Quando digo últimos momentos não exagero. Vi uma última fala do Plínio e em seguida cada candidato teve um minuto pra finalizar. Minha análise acontecerá na mesma seqüência dos minutos falados: Plínio: sucinto, objetivo, mostrou exatamente a que veio – não apenas a parte do riso. Escancarar as mazelas com a legitimidade de quem mantém os ideais sociais com a coerência esquecida pelos dois principais candidatos. E reerguer o muro; Serra: agradeceu uns 59 representantes da Igreja Católica pelo que é. Esses representantes não quiseram comentar as menções e ainda me chamaram de pervertida; Dilma: generalizou os agradecimentos a todas as igrejas que apóiam a coligação e pausadamente (cansativo... isso em um minuto) fez uma ode ao cristianismo. [Nota da redação: existe crise existencial em candidato? Porque Plínio fala tudo aquilo que – de acordo com a história da Dilma – ela acreditou antes de se tornar vidraça.]; Marina: Mui polida, agradeceu pela oportunidade das instituições católicas, e manifestou-se sobre o enriquecimento democrático necessário que ocorre num segundo turno. [Nota da redação: ela tá fazendo campanha pro Serra?] Evangélica ferrenha, foi a mais aplaudida. Minha opinião? Queria mesmo era ver um debate com o Silas Malafaia de intermediador.
Escrito por Emmanuella Denora às 01h56
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“Finjo que te esqueço. Só pra lembrar sem querer” Não sei a autoria, mas era o que eu tinha a declarar. p.s.: Preciso ocupar minha vida afetiva urgentemente. Candidatos, favor enviar curriculum.
Escrito por Emmanuella Denora às 00h30
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Balada de terça
Não sei que ideia de jerico tivemos em pegar balada em plena terça feira, mas foi esse o feito, como se não fôssemos adultos e advogados e com responsabilidades. Algo me fez pensar que sobreviveria mesmo não tendo agido assim na época da faculdade. O nome disso é falsa ilusão de juventude. Ou burrice. O que dá no mesmo nessa altura da vida. Fomos pela banda. É um ótimo cover de Los Hermanos – o que me garante saber todo o repertório – e que veio suprir o vácuo e a sensação de órfãos que os cariocas deixaram em toda sua horda de fãs. O que me inclui. Estávamos em três, eu e dois integrantes do blog Raquel, Pedro, o prolixo, e Netto, o corintiano. Aquele foi por gostar. Este porque queria destoar do evento e causar falatório não vestindo camisa de flanela quadriculada. Aparentemente conseguiu. Devidamente animada por dois litros e meio de café, antes da apresentação principal começar eu estava morrendo pelos cantos do lugar. Se minha intenção era paquerar ela foi frustrada por uma sequência mortal de fatos: a) fui com dois homens, e homens, como se sabe, têm consciência de classe, não chegam em mulheres acompanhadas, e acho um tanto quanto exagerado andar com placas dizendo “são amigos”; b) a proporção menino/menina era absurdamente desproporcional, numa média de 1 pra 15, por cima; c) inserido nessa média, pra cada hetero havia três gays; d) competir com meninas estilosas é muito difícil. Não que eu não seja estilosa. Eu não sou anoréxica; e e) estava com uma preguiça enorme de ser interessante. Desencanei de flertar. A banda começou e fui me enfiar próxima ao palco. Por duas horas esqueci completamente que estava de salto numa ode às minhas reminiscências afetivas musicais. Só que em algum momento a banda pára. E então os pés latejam. Deus, como meus pés ardem... Saldo da noite com reflexos hoje: - dois pés doendo; - rouquidão; - cinqüenta reais no limite para o Banco do Brasil; - nenhum moço barbudo com camisa quadriculada e óculos com bordas pretas me passando cantada cult bacaninha; - uma satisfação indizível. * Para constar, fiquei frustradíssima por não ouvir Anna Júlia. Fica meus parabéns à Matitaperê pelos seus cinco anos, e meus sinceros votos de que eles emplaquem suas próprias composições e não quedem-se como cover ad eternum. Mas quando forem cover, nos convide.
Escrito por Emmanuella Denora às 13h13
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Horóscopo pra quinzena vindoura
Áries Com a Lua regendo teu mês, é possível que você se acidente nas calçadas esburacadas, tome cuidado com pessoas que falem demais e com as que falem de menos. Nunca se sabe o que esperar delas sem bebida. Sua pedra é a britada. Touro Sua racionalidade e objetividade ficam obstruídas com a ausência de grandes conflitos mundiais. Evite pessoas que se chamem Lex Luthor se você tiver alguma identidade secreta. Sua pedra definitivamente não é a criptonita. Gêmeos Se teu ascendente for em Escorpião, delete o Orkut. Se for Capricórnio fique duas horas sem tuítar por dia pela próxima semana. Todo seu talento para a comunicação ficará estagnado se você não se comunicar, mas ainda assim, não se candidate a nenhum reality show. Sorte do mês: não confie na sorte. Câncer A quarta lua de Marte influencia teus pensamentos e mesmo Plutão não sendo mais um planeta, ele mexe com teus hormônios. Evite absinto com ópio. Dá cadeia. Em tendo problemas com a polícia, me chame para ser tua advogada. Você pode ter câncer. Prefira enfermeiros homens. Leão Rugir já não adianta com Saturno na terceira casa após a esquina de Mercúrio, fundos. Prefira alimentos com fibra e muita água. No amor, péssimas notícias, você terá gonorréia. Virgem Tua pureza será perdida até o próximo carnaval pela influência da era de aquário somatizada com a delicadeza e novidade que é teu corpo. Evite afro descendentes. Você pode se traumatizar. No campo profissional, seu dote valerá muito na China, país com a economia bombando. Programe-se. Libra Evite carros verdes. Prefira alimentos brancos e pastosos. O Sol é seu regente pelas próximas semanas, portanto, se não tiver colírio use óculos escuros. Problemas intestinais sérios te acarretarão disfunções. Pra isso, papel higiênico de folha dupla. Escorpião Não leia o livro da Bruna Surfistinha acreditando que é com você. Não é. Contenha teu ímpeto de gastar, mas se for inevitável, compre os três livros do Schulz e dê de presente. Em tempo: presenteie blogueiras. A satisfação é impagável. Sagitário Ser de sagitário não é fácil. A família está em crise, as relações homoafetivas já não estão mais na moda e teu chefe não vai com tua cara. Provoque um acidente para não ser despedido e ainda receber do INSS por um tempo. A boa notícia é que Urano está trocando de órbita e pele. Se você se esforçar e amputar um dedo, poderá ser presidente. Capricórnio Motoboys farão de tua vida um inferno. Evite avenidas movimentadas em grandes centros fumando marijuana com bebida alcoólica. Existem blitz e elas estão te procurando. A lua crescente fará teus pêlos crescerem mais rápido. Depile-se. Aquário Cuidado com ex namoradas em período fértil. Elas poderão querer fazer sexo casual e ferir teus sentimentos. Se você não pratica exercícios físicos, é a hora de começar, pois teu fôlego pode estar prejudicado com o marasmo. Prefira as mulheres de touro que acreditam ser de gêmeos. Peixes O mar não está pra peixe e a lua em minguante prejudica a pescaria. Prefira velejar em água doce. Evite festas com gêmeos xifópagos, anões e piratas. Teus números pra mega-sena é a data de aniversário de sua trisavó dividida pelo quoeficiente primo de tua conta bancária. Tua pedra é a sabão.
Escrito por Emmanuella Denora às 00h58
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Domingo no pesque e pague
Nunca espera-se grandes acontecimentos numa ida à um pesque e pague. Mas isso, claro, com pessoas normais. Isso se pessoas normais de 25 anos fossem a pesque e pagues. Não é o nosso caso. A decisão de cardápio para o almoço deste domingo era peixe. Às 4 da tarde. Encaminhamo-nos nessa aventura dois integrantes do blog Raquel - Minas e Netto - Paula, Ushi e eu. Quem vai a um lugar como esse presume-se que se queira pescar. Também não era o caso. Nossa ambição nunca foge do clássico: alimentar-se de modo razoável e cerveja. Isso seria facilmente sanado indo a um bar dentro da cidade, mas não. Precisávamos andar 453 quilômetros pra vivenciarmos um ambiente familiar repleto de crianças correndo, casais frustrados e senhores de meia idade desinteressados e decepcionados com a vida. Pra comer e beber! A vantagem é que nós, as três meninas, éramos as misses do lugar. Mas isso também não melhorou nosso ego. As constatações bizarras antropológicas vieram sem maiores esforços. Um senhor com sua senhora tirando fotos e treinando a pose, provavelmente pra pôr no Orkut – inclusão digital – “glamourizando no pesque e pague”. Um cachorro – que poderia se chamar Marmaduke sem desonrar – passeando tranquilamente entre menininhas ranhentas cheirando a tilápia. E um garçom. Já me avisaram que não sei me comunicar com garçons, que preciso de um interlocutor, mas não aprendo. Sempre penso que as pessoas vão entender o modo peculiar e delicado que tenho de ser grosseira pra ser simpática. Nunca dá certo. Mas esse garçom abusou. Pedimos cerveja. Na graduação clássica de nossas preferências, nenhuma estava disponível pela temperatura. Veio Itaipava, que era a única gelada. Quente. Pra mim isso não é problema, mas me solidarizo pela sede alheia. Pedi água com gás sem gelo e limão. O limão não veio. Perguntado, o garçom nos disse que as porções davam pra quatro pessoas. Pedimos uma atraente truta ao alho e óleo e frango enrolado, supostamente com bacon. Veio o frango enrolado. Em miojo – e pasmem, é bom. E realmente daria pra quatro pessoas, se elas fossem modelos anoréxicas (pleonasmo). Mas a truta nos fez voltar a acreditar que a humanidade tem salvação. De estômago pleno, Paula decide que precisa de um doce. Nosso camarada garçom vem atender. Segue o diálogo: Paula: tem sorvete? Garçom: vou ver. (Sempre depois desse “vou ver” contem dois minutos.) Garçom: não tem não. Paula: e esses amendoins? Garçom: vou ver. (...) Não tem. Mineiro: tem pamonha, bor! Paula: não quero pamonha! Quero sorvete! Garçom: pamonha não tem. Eu: tem cigarro? Garçom: vou ver. (...) Não tem. ... Paula: olha Manu, tem cavalos! Chega o garçom. Eu: moço, quanto é pra andar à cavalo? Garçom: cavalo? Eu: não tem cavalo? Garçom: vou ver. (...) não tem cavalo. Tem só o que tem aí no cardápio... Eu: você tá me dizendo que tem isca, anzol, isopor, multa de 30 reais pra quem resolve dar uma nadadinha, vara de pesca, samburá, gelo, mas não tem cavalo? Garçom: isso. Eu: tá... então tá... Resolvemos ir embora. Depois de 17 picadas de mosquito só na minha perna direita e uma tentativa aventureira da Ushi sugerindo pra andarmos no meio do mato, sendo completamente ignorada. Terminamos no shopping como adolescentes. Tomando sorvete. Uma festa de sabores nas minhas papilas gustativas. E o mais absurdo: foi sensacional.
Escrito por Emmanuella Denora às 04h28
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